terça-feira, 13 de março de 2018

Ficar acima do peso por muitos anos aumenta risco de lesões no coração

Pessoas que estão obesas ou com sobrepeso por muitos anos devem ter cuidado redobrado com a saúde cardíaca. É o que sugere um estudo do Johns Hopkins Medicine, em Maryland, Estados Unidos. Segundo pesquisadores da instituição, quanto maior o tempo de briga com a balança, maior é o risco cardiovascular, devido ao impacto prolongado à musculatura cardíaca. E o pior: a vulnerabilidade segue mesmo quando se consegue emagrecer.

“Indivíduos com obesidade atual e anterior apresentam maior probabilidade de lesão miocárdica”, ressalta Chiadi Ndumele, professor-assistente da Faculdade de Medicina da universidade americana e principal autor do estudo, publicado na revista Clinical Chemistry. Para chegar à conclusão, Chiadi Ndumele e sua equipe analisaram os dados de 9.062 voluntários, com idade entre 45 e 64 anos e participantes do estudo Atherosclerosis Risk in Communities, um estudo prospectivo epidemiológico realizado em quatro cidades dos EUA de 1985 a 2016.

Para formar o banco de dados, homens e mulheres foram visitados quatro vezes, tiveram o índice de massa corporal (IMC), o histórico de doença cardíaca e os níveis da enzima cardíaca troponina avaliados e autorrelataram quanto pesavam aos 25 anos. As analisar os dados, a equipe do Johns Hopkins descobriu que quase 23% dos recrutados sofreram aumento do IMC de entre 1987 e 1998, sendo que, na quarta visita, 3.748 (41%) estavam com excesso de peso e 3.184 (35%) estavam obesos.

O nível de troponina, indicador clínico para dano cardíaco, também foi avaliado pelos pesquisadores. Eles concluíram que cada 10 anos de obesidade aumenta em 26% o nível da enzima no corpo de um indivíduo. “Nesse estudo, avaliamos como o histórico de sobrepeso e obesidade desde os 25 anos foi associado com altos níveis de troponina na velhice”, complementa  Chiadi Ndumele. A maior vulnerabilidade permaneceu mesmo quando havia risco de doença cardíaca devido a hipertensão, diabetes e doença renal.

O pesquisador diz que os mecanismos que ligam a obesidade a danos no miocárdio, responsáveis, por exemplo, pelos infartos, ainda não são precisos, mas que o estudo mostrou que as condições comumente associadas ao excesso de peso, como hipertensão, diabetes e colesterol alto, não são justificativas para essa conexão, uma vez que os resultados foram semelhantes entre aqueles que tinham e os que não tinham essas condições. “Temos a hipótese de que o excesso de gordura exerce, provavelmente, efeitos tóxicos diretos no coração, por meio de cargas de pressão mais elevadas; efeitos tóxicos de gordura dentro do músculo cardíaco; e efeitos inflamatórios no tecido adiposo”, lista.

Para a professora de nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG) Maria Aderuza Horst, o fato de os pesquisadores terem excluído indivíduos com doenças cardiovasculares é um fator importante. “Eles retiram um elemento que poderia aumentar falsamente a relação entre excesso de peso e danos do miocárdio”, explica.


Biomarcador


Roberto Kalil Filho, professor titular de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Instituto do Coração, avalia que o estudo aborda uma questão clássica sobre obesidade e doença cardiovascular. “A novidade é que eles mostraram que a obesidade, por si só, é um fator de risco para a lesão no músculo do coração”, conta.

Maria Aderuza Horst concorda, mas destaca que o tamanho da amostra da pesquisa também merece destaque. “Esse estudo é importante, uma vez que avaliou um grande número de indivíduos e utilizou um biomarcador de danos do miocárdio, a troponina cardíaca de alta sensibilidade, e fez uma associação com o tempo de excesso de peso”, detalha. Segundo a professora da UFG, um fator limitante da pesquisa é que o peso dos participantes aos 25 anos foi autorrelatado. Como eles iniciaram o estudo com 45 a 64 anos, pode ter ocorrido lapsos de memória.

Chiadi Ndumele conta que ele a sua equipe trabalham, agora, estudando as doenças com que a obesidade está associada aos danos no miocárdio e também o quanto essas lesões são diminuídas com a perda de peso. Para Roberto Kalil Filho, independentemente dos resultados, o emagrecimento deve ser estimulado. “É importante a perda de peso para tratar e evitar mais lesões ao miocárdio”, justifica.

Fonte: Correio Braziliense.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Arritmias: quando o coração bate fora do compasso

O número é impactante: no Brasil, ocorrem cerca de 300 mil mortes súbitas por ano. Na maioria dos casos, são pessoas em idade produtiva que desconheciam ter um problema – no entanto, 80% delas sofriam de aterosclerose. O quadro, dramático, é apresentado pelo cardiologista paranaense José Carlos Moura Jorge, que assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. 

Doutorado pela Universidade de São Paulo e professor-titular da PUC-PR, o doutor Moura Jorge é também fellow do American College of Cardiology, da European Heart Rhythm Association e da Heart Rhythm Society. De acordo com estimativas, as arritmias atingem 25 milhões de brasileiros e seu trabalho à frente da entidade vai focar em duas frentes: as mortes súbitas, que ele qualifica como “um grave problema de saúde pública”, e a fibrilação atrial, o tipo mais comum de arritmia entre idosos: 10% das pessoas acima dos 70 apresentam o quadro.

A arritmia ocorre quando o ritmo cardíaco se desvia do normal, podendo ser acelerado (taquicardia) ou lento (bradicardia) demais, ensina o médico: “taquicardia e bradicardia podem fazer cair a pressão arterial – para 7 por 5, 6 por 4 – e, como o indivíduo não recebe sangue suficiente no cérebro, acaba desmaiando. No entanto, ele pode ter uma das duas condições, e somente a avaliação diagnóstica vai esclarecer. Taquicardias ainda podem ser causadas por ansiedade ou síndrome do pânico, mas é importante afastar a possibilidade de causas patológicas mais graves”.

Os sintomas das arritmias variam de pessoa para pessoa, mas o mais frequente é a palpitação. Também podem provocar tonteiras, falta de ar, mal-estar, sensação de peso no peito, fraqueza, dentre outros. É fundamental buscar uma avaliação médica, explica o doutor Moura Jorge: “a arritmia faz o coração bater de forma descompassada e irregular e isso aumenta o risco de AVC, conhecido popularmente como derrame. Quando há fibrilação atrial, o sangue fica represado no átrio, na parte superior do coração, que leva o sangue aos ventrículos. Se ele fibrila, não consegue realizar a função de bombear esse sangue, que fica como que ‘empoçado’. As hemácias vão se juntando, formando coágulos que são bombeados pelo ventrículo e podem chegar ao cérebro”.

Ele acrescenta que há dois tipos de taquicardia, a benigna e a maligna. “Na benigna não há risco de morte; na maligna, quem já teve infarto do miocárdio traz cicatrizes no coração que podem gerar essa condição, especialmente na área da lesão”, diz. 

No tratamento da taquicardia usa-se o cardio desfibrilador implantável (CDI) ou desfibrilador. Para a bradicardia, o marca-passo. “Quanto à fibrilação atrial, o tratamento é com anticoagulantes, que podem fazer a diferença entre a vida com uma doença crônica sob controle e uma situação de dependência causada por um AVC”, enfatiza o médico. 

A prevenção é papel de cada um: dieta saudável, exercícios regulares, uso moderado de álcool e não ao cigarro para evitar a aterosclerose, que causa a obstrução das veias e artérias.

Fonte: G1

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Carnaval: Curta o feriado prolongado com saúde e segurança!

Fevereiro é o mês do Carnaval, considerada por muitos a época mais animada do ano, com muitas festas, bandas de rua e agitação, que faz todo mundo pular, dançar e se divertir à beça!

Entretanto, é o período com maior incidência de transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e de acidentes fatais. É preciso tomar alguns cuidados com a saúde e a segurança para não deixar que os momentos de alegria se transformem em lembranças desagradáveis.

E para você aproveitar bem o feriado prolongado, o Blog Conexão Saúde reuniu algumas dicas importantes dadas por médicos especialistas do Hospital Samel, que vão garantir o seu bem-estar e preservar a sua saúde. Confira!



Samba no pé

Sambar, mesmo sem saber, é bom demais! A descontração toma conta do ambiente e a adrenalina de quem samba vai a mil. Porém, algumas horas de folia podem resultar em pernas cansadas e pés esmigalhados. "Durante a folia é recomendável procurar um espaço para descansar sempre que sentir a perna cansada. Apoiá-las em uma parede, entre 20 a 30 minutos, estendendo-a para cima é um ótimo remédio", ressalta o médico assistente da Samel, Dr. Eun Chul Park.

Além disso, o Dr. Park observa que é importante usar calçados confortáveis para não causar calos ou feridas nos pés, e não ficar muito tempo parado em pé ou sentado, para manter a boa circulação do sangue. 

Hidratação 

A dica já está 'batida', mais reforçar nunca é demais: durante os dias de folia beba muito líquido, como água mineral, água de coco, sucos de frutas e bebidas isotônicas, e fique atento à procedência dos produtos que você vai consumir. "Se for beber bebidas alcoólicas, é preciso intercalar com água, sucos ou refrigerantes, para dar uma balanceada na glicose e não ficar sentir mal-estar.

Pegue leve na maquiagem

No Carnaval, a maquiagem deve ser usada moderadamente, pois, em alguns casos, pode causar irritação na pele, alergias, infecções nas pálpebras, lesões nas córneas, dermatite de contato e descamação da pele, entre outros problemas.

Álcool com moderação

As bebidas alcoólicas são responsáveis por grande parte das internações em proto-atendimentos de hospitais, causando grandes danos em pessoas que não estão acostumadas a beber e que exageram na dose. "Por isso, beba com moderação e não consuma bebidas alcoólicas de estômago vazio", ressalta o Dr. Park.

Proteja-se do sol

Para prevenir as queimaduras do sol durante a folia, opte por usar roupas leves e o uso de chapéus. "Além disso, não esqueça do protetor solar, que deve ser reaplicado a cada duas horas", informa o Dr. Calisson Zamith, dermatologista.

Sexo, só com camisinha

"Apesar de muitos alertas nas mídias, muitas pessoas, em meio a empolgação acabam não dando importância para o uso do preservativo, e isso pode causar problemas sérios de saúde como as ISTs ou uma gravidez indesejada, Portanto, em toda e qualquer relação sexual, seja ela oral, anal ou vaginal, use camisinha", informa o Dr. Noaldo Lucena, médico infectologista da Samel.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pesquisadores desenvolvem exame de sangue capaz de detectar oito tipos de câncer

Testado em um mil pacientes, o método tem sensibilidade de 69% a 98%, conforme o tipo de tumor. Para especialistas, a ferramenta facilitará a descoberta precoce da doença

Uma das maiores dificuldades enfrentadas na oncologia é de detectar a presença de tumores precocemente, condição que aumenta as chances de cura. Focado em uma ferramenta com essa utilidade, um grupo internacional de pesquisadores desenvolveu um método computacional capaz de identificar oito tipos comuns de câncer por meio de amostras de sangue. A tecnologia, que utiliza uma análise genética minuciosa, foi apresentada na edição da revista Science, mas  precisa passar por mais testes. Para os criadores, o método poderá se tornar uma alternativa menos dispendiosa e mais prática de diagnóstico da doença.


Autor principal do estudo, Nickolas Papapdopoulos ressalta a importância de um exame com essas características. “A detecção precoce do cancro é fundamental para reduzir a mortalidade, pois os tumores são mais facilmente tratados quando ainda não se tornaram metástases”, diz o também professor de oncologia e patologia do Centro de Câncer Johns Hopkins (EUA). O exame criado foca em oito tipos comuns de tumores: ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago, colorretal, pulmão e mama.

Ter uma alternativa de diagnóstico menos invasiva também foi um fator motivador da equipe,  já que a maioria das tecnologias usadas com esse intuito, como a colonoscopia, tem procedimentos mais complexos. “Alguns exames de sangue têm sido desenvolvidos com esse objetivo, mas eles ainda passam por testes devido a dúvidas quanto a sua eficácia”, completa o pesquisador.

O método desenvolvido por Papapdopoulos e equipe, que contaram com ajuda de cientistas italianos e australianos, chama-se CancerSEEK e consiste em uma análise na qual um algoritmo avalia a presença de 16 genes de câncer e 10 níveis de proteínas circulantes, indícios biológicos de cancros, em amostras de sangues. O teste contou com 1.005 pacientes diagnosticados com um dos tumores em fase pré-metastática, além de 850 indivíduos saudáveis.

O exame detectou os tumores com sensibilidade de 69% a 98%, dependendo do tipo da doença. Em alguns casos, também forneceu informações sobre o tecido de origem do câncer, um dado dificilmente obtido em testes atuais. “O CancerSEEK analisa minuciosamente as partículas sanguíneas para alcançar essa alta sensibilidade, uma técnica avançada para minimizar o número de falsos positivos. Nosso exame determina com precisão a localização de um tumor devido à análise minuciosa feita, e isso é uma limitação atual dos testes de biópsia líquida”, compara Papapdopoulos.

Outros males

Os investigadores acreditam que a ferramenta poderá ser usada para a análise de outros tipos de tumor. “No entanto, a sensibilidade do teste para outros cancros precisa ser avaliada em estudos futuros”, ressalta o autor principal. Papapdopoulos destaca mais pontos a serem alcançados pela equipe. “Nosso estudo estabelece o fundamento conceitual e prático para um exame de sangue único e de múltipla análise. Mas, para realmente estabelecer a utilidade clínica do CancerSEEK e demonstrar que ele pode salvar vidas, serão necessários estudos prospectivos de todos os tipos de câncer incidentes em uma grande população. Esses estudos maiores são necessários para explorar ainda mais a especificidade, a sensibilidade e o refinamento do teste”, pondera.

Gerson Carvalho, consultor da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), avalia que o trabalho tem como base um método que tem se tornado uma tendência na área médica. “É um estudo ainda inicial, mas essa é uma pesquisa inovadora, que mostra a possibilidade de dar um diagnóstico precoce ao paciente com câncer que ainda não tem metástase, e de uma forma menos invasiva, utilizando a genética para o diagnóstico. Isso tem sido cada vez mais explorado no que chamamos de medicina personalizada”, justifica.

Carvalho também acredita que a tecnologia poderá ser ampliada para o enfrentamento de outras doenças. “É um tema que merece ser ampliado e que, além de testar outros tipos de cancro, poderia analisar doenças inflamatórias e imunológicas, pois o paciente não chega ao médico com suspeita de câncer. Geralmente, ele apresenta alguma enfermidade que pode estar relacionada ao tumor”, explica.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ciência cria pomada antibiótica que impede surgimento de superbactérias

O uso exagerado de antibióticos gerou um dos maiores problemas da área médica: a resistência das bactérias a esse tipo de medicamento. Para impedir que a situação piore, cientistas buscam novas alternativas de combate a esses micro-organismos. Nesse sentido, pesquisadores da Holanda manipularam um peptídeo de origem humana que, ao ser usado em forma de pomada, conseguiu replicar o efeito dos antibióticos em ratos e amostras de pele humana. Os achados foram apresentados na última edição da revista americana Science Translational Medicine.

“Com o crescente número de cepas resistentes aos antibióticos, é crucial desenvolver novas terapias antimicrobianas”, ressalta ao Correio Anna de Breij, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade Médica de Leiden. A cientista explica que, para desenvolver um medicamento semelhante aos antibióticos, foram escolhidos os peptídeos antimicrobianos devido à eficácia dessas moléculas no combate a bactérias em pesquisas anteriores. “Elas têm potencial para matar uma ampla gama de bactérias, incluindo espécies que já são resistentes aos antibióticos”, frisa.

Breij e sua equipe, que contaram com a ajuda de pesquisadores da Universidade de Amsterdã, escolheram um dos peptídeos mais promissores, o LL-37. “É um antimicrobiano humano que desempenha papel fundamental na resposta imune contra bactérias. Com base nesse peptídeo natural, nós sintetizamos variantes”, explica a autora. A manipulação resultou em um conjunto de peptídeos — entre eles o SAAP-148, que se mostrou altamente eficiente no combate a micro-organismos em amostras sanguíneas. 

O peptídeo liga-se à membrana da bactéria, a enfraquecendo, o que facilita a morte do micro-organismo.  “O SAAP-148 mostrou-se ativo contra as comunidades bacterianas, que nós chamamos de biofilmes. Elas vivem juntas e, por isso, são mais difíceis de serem erradicadas com antibióticos convencionais. Também (funcionou) no combate a células persistentes, que são as mais tolerantes aos antibióticos e responsáveis por muitas infecções recorrentes”, ressalta Breij.

Em uma última etapa, os pesquisadores incorporaram o peptídeo em uma espécie de gel, o que permitiu a aplicação tópica — diretamente na pele —, e o testaram em ratos e amostras de pele humana contaminados. A abordagem, além de segura e eficaz, eliminou as bactérias. “Neste ano, planejamos testar o peptídeo em um ensaio clínico (com humanos) para aplicação tópica. Além disso, obtivemos uma concessão para desenvolver formulações inteligentes (nanoformulações) para o SAAP-148, o que, espero, nos permitirá desenvolver alternativas para outras aplicações, que não sejam tópicas”, adianta a autora.

Mais estudos

Segundo Alexandre Cunha, membro do Comitê de infecções em UTI da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a eficiência no combate a biofilmes é um ponto a ser destacado na pesquisa. “Os biofilmes são grupos de bactérias que ficam grudados, acumulados, e são frequentes em aparelhos médicos, como o cateter. Também estão muito presentes em ossos, por isso são numerosos os casos de infecções em pessoas que usam próteses ortopédicas, por exemplo”, diz.

Apesar das vantagens descritas, Cunha acredita que muito trabalho é necessário para que um novo medicamento possa surgir com base no estudo holandês. “A parte ruim é que esse ainda é um estudo inicial, que precisa de muito tempo para ser desenvolvido. Pode demorar cerca de oito anos para que ele chegue ao mercado, em um cenário animador, seriam cerca de cinco anos”, acredita.

Quanto à vantagem de não beneficiar o surgimento de superbactérias, Cunha também é cauteloso. “Pesquisas que exploram outra linha de combate, como essa que aborda o uso de peptídeos, podem não resultar em uma solução na primeira tentativa, mas essas investigações têm potencial para abrir um novo caminho, com outras fontes de pesquisa, com moléculas semelhantes que podem gerar novos medicamentos”, justifica.

Segundo os autores, o peptídeo SAAP-148 não induz a resistência a bactérias provavelmente devido ao seu mecanismo de ação inespecífico (sem alvo) e à rapidez de ação. “Em contraste, os antibióticos, que muitas vezes têm alvos específicos e agem bem mais devagar, causam a resistência. Se pudermos usar peptídeos antimicrobianos, como SAAP-148, isoladamente ou em combinação com antibióticos, para tratar infecções, é possível reduzir a chance de indução de resistência”, ressalta Breij.

Para o médico brasileiro, soluções nesse sentido são urgentes e bem-vindas. “A resistência a bactérias é um problema extremamente grave. Há anos não temos uma classe nova de remédios. As novidades que surgem, a cada dois anos basicamente, são apenas variações de fórmulas que conhecemos há 10, 15 anos. Caso novidades não surjam,  vamos voltar a viver na época ‘pré-analítico’, quando as pessoas morriam por infecção”, ressalta Cunha.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Clínico Geral: quando procurar?


Estudos do Ministério da Saúde comprovam o que, de fato, todos nós já sabemos: o homem brasileiro vai menos ao médico por livre e espontânea vontade, e só busca o atendimento médico quando alguma enfermidade já está instalada em seu organismo, o que não é nada bom.

A saúde deve ser priorizada por qualquer indivíduo que busque longevidade e qualidade de vida, e as idas periódicas ao médico, além da realização de exames diversos elevam a prevenção de doenças e garantem a boa saúde.

Mas, primeiramente, em qual médico ir?

De acordo com o Dr. Eun Chul Park, médico assistente do Hospital Samel, “tudo depende da história de cada paciente”, porém, o primeiro passo é realizar uma avaliação médica com um clínico geral.
“O clínico geral tem uma ampla visão do organismo humano e deve estar preparado para proceder aos diversos diagnósticos”, afirma o Dr. Park. É ele quem deve identificar os problemas de saúde que possam existir no organismo do paciente, além de solicitar exames e encaminhá-lo para especialistas.  

Avaliação laboratorial

Os exames laboratoriais são essenciais para encontrar sinais de anemia, diabetes, gordura no organismo, problemas cardíacos, problemas urinários, verminoses, entre outros, e devem ser realizados anualmente, para manutenção da boa saúde.

Avaliação urológica

“A avaliação urológica, que englobam a dosagem de PSA (antígeno prostático específico, na sigla em inglês) e o exame de toque retal, se for indicado, são de extrema importância para prevenir o câncer de próstata, além de mostrar alterações na função erétil e possíveis causas de infertilidade.

Quais doenças podem ser tratadas pelo clínico geral?

O Dr. Eun Chul Park informa que o clínico geral está apto a tratar diversas doenças, e só precisa encaminhar seu paciente quando houve necessidade de um especialista, isso quer dizer, quando o problema é muito específico. 


Sendo assim, uma consulta com o clínico geral também abrange avaliação pré-operatória para cirurgias diversas; avaliação para atividade física e orientação de exercícios físicos; obesidade leve a moderada; hipertensão arterial e diabetes; investigação e tratamento de doenças cardiológicas leves; infecções intestinais e urinárias, entre outras.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

HIV e AIDS: transmissão, sintomas e tratamento

Dezembro Vermelho: Mês de Prevenção da AIDS

A AIDS - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é uma doença considerada um dos maiores problemas da atualidade por conta do seu caráter pandêmico e sua gravidade, tendo seu ápice nos anos 80, onde o diagnóstico positivo era quase uma sentença de morte.

A infecção se dá através do vírus HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana, que pode levar à AIDS. Oposto de outros vírus, o organismo humano não consegue se livrar do HIV, o que significa que uma vez contaminado, o indivíduo viverá com o vírus em seu organismo para sempre. Porém, as pessoas que vivem com HIV ou com AIDS podem usufruir de todos os seus direitos, incluindo educação, emprego, acesso à saúde gratuitamente e direitos sexuais e reprodutivos.

Como o vírus age no organismo humano?

De acordo o médico infectologista do Hospital Samel, Dr. Noaldo Lucena, o vírus HIV age no organismo atacando as células do sistema imunológico, destruindo os glóbulos brancos, chamados linfócitos T CD4+. A ausência desses linfócitos reduz a capacidade do organismo de se defender de doenças oportunistas, causadas por micro-organismos que não são capazes de desencadear danos nos indivíduos com sistema imune normal.

Transmissão 

A transmissão do HIV se dá por meio da troca de fluidos corporais, como o sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno e não ocorre através de interações comuns do dia a dia, como abraço, beijo, compartilhamento de utensílios e alimentos. “É muito importante sabermos disso para conscientização da população para que consigamos acabar com estigmas associados aos portadores do vírus HIV e com a discriminação”, ressalta o infectologista do Hospital Samel.

Assim se pega HIV/AIDS: Sexo vaginal, oral e anal sem camisinha; uso de seringa por mais de uma semana; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto e amamentação; instrumentos perfuro cortantes não esterilizados. 

Assim não se pega HIV/AIDS: Sexo vaginal, oral e anal com camisinha; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão e abraço; compartilhamento de sabonete, toalha e lençóis; compartilhamento de talheres, pratos e copos; assento de ônibus; piscina; banheiro; doação de sangue.

Como identificar?

Estudos confirmam que após o contágio pelo vírus HIV, os sintomas da AIDS podem demorar até 10 anos para se manifestar no organismo, por isso, a pessoa pode ter o vírus, mas, não a AIDS ainda em seu corpo. 

Os principais sintomas observáveis são parecidos com os de uma gripe comum, como mal-estar e febre. Devido a isso, grande parte dos casos passa despercebido. 

Fase sintomática inicial da AIDS: candidíase oral, sensação constante de cansaço, aparecimento de gânglios nas axilas, virilhas e pescoço, diarreia, febre, fraqueza orgânica, transpirações noturnas e perda de peso superior a 10%.

Infecção aguda da AIDS: sintomas de infecção viral como febre, afecções dos gânglios linfáticos, faringite, dores musculares e nas articulações; ínguas e manchas na pele que desaparecem após alguns dias; feridas na área da boca, esôfago e órgãos genitais; falta de apetite; estado de prostração; dores de cabeça; sensibilidade à luz; perda de peso; náuseas e vômitos.

Diagnóstico

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. “No Brasil, temos os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) ”, informa o Dr. Noaldo.

Tratamento

A infeção pelo HIV ainda não tem cura, porém, pode ser tratada, o que evita que a pessoa chegue ao estágio mais avançado da presença do vírus no organismo, chamado de fato AIDS.

Os portadores do HIV dispõem de tratamento oferecido gratuitamente pelo Governo, onde o paciente terá acesso ao tratamento antirretroviral, cujos medicamentos possibilitam maior qualidade de vida, agindo na redução da carga viral e a reconstituição do sistema imunológico.