terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pesquisadores desenvolvem exame de sangue capaz de detectar oito tipos de câncer

Testado em um mil pacientes, o método tem sensibilidade de 69% a 98%, conforme o tipo de tumor. Para especialistas, a ferramenta facilitará a descoberta precoce da doença

Uma das maiores dificuldades enfrentadas na oncologia é de detectar a presença de tumores precocemente, condição que aumenta as chances de cura. Focado em uma ferramenta com essa utilidade, um grupo internacional de pesquisadores desenvolveu um método computacional capaz de identificar oito tipos comuns de câncer por meio de amostras de sangue. A tecnologia, que utiliza uma análise genética minuciosa, foi apresentada na edição da revista Science, mas  precisa passar por mais testes. Para os criadores, o método poderá se tornar uma alternativa menos dispendiosa e mais prática de diagnóstico da doença.


Autor principal do estudo, Nickolas Papapdopoulos ressalta a importância de um exame com essas características. “A detecção precoce do cancro é fundamental para reduzir a mortalidade, pois os tumores são mais facilmente tratados quando ainda não se tornaram metástases”, diz o também professor de oncologia e patologia do Centro de Câncer Johns Hopkins (EUA). O exame criado foca em oito tipos comuns de tumores: ovário, fígado, estômago, pâncreas, esôfago, colorretal, pulmão e mama.

Ter uma alternativa de diagnóstico menos invasiva também foi um fator motivador da equipe,  já que a maioria das tecnologias usadas com esse intuito, como a colonoscopia, tem procedimentos mais complexos. “Alguns exames de sangue têm sido desenvolvidos com esse objetivo, mas eles ainda passam por testes devido a dúvidas quanto a sua eficácia”, completa o pesquisador.

O método desenvolvido por Papapdopoulos e equipe, que contaram com ajuda de cientistas italianos e australianos, chama-se CancerSEEK e consiste em uma análise na qual um algoritmo avalia a presença de 16 genes de câncer e 10 níveis de proteínas circulantes, indícios biológicos de cancros, em amostras de sangues. O teste contou com 1.005 pacientes diagnosticados com um dos tumores em fase pré-metastática, além de 850 indivíduos saudáveis.

O exame detectou os tumores com sensibilidade de 69% a 98%, dependendo do tipo da doença. Em alguns casos, também forneceu informações sobre o tecido de origem do câncer, um dado dificilmente obtido em testes atuais. “O CancerSEEK analisa minuciosamente as partículas sanguíneas para alcançar essa alta sensibilidade, uma técnica avançada para minimizar o número de falsos positivos. Nosso exame determina com precisão a localização de um tumor devido à análise minuciosa feita, e isso é uma limitação atual dos testes de biópsia líquida”, compara Papapdopoulos.

Outros males

Os investigadores acreditam que a ferramenta poderá ser usada para a análise de outros tipos de tumor. “No entanto, a sensibilidade do teste para outros cancros precisa ser avaliada em estudos futuros”, ressalta o autor principal. Papapdopoulos destaca mais pontos a serem alcançados pela equipe. “Nosso estudo estabelece o fundamento conceitual e prático para um exame de sangue único e de múltipla análise. Mas, para realmente estabelecer a utilidade clínica do CancerSEEK e demonstrar que ele pode salvar vidas, serão necessários estudos prospectivos de todos os tipos de câncer incidentes em uma grande população. Esses estudos maiores são necessários para explorar ainda mais a especificidade, a sensibilidade e o refinamento do teste”, pondera.

Gerson Carvalho, consultor da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), avalia que o trabalho tem como base um método que tem se tornado uma tendência na área médica. “É um estudo ainda inicial, mas essa é uma pesquisa inovadora, que mostra a possibilidade de dar um diagnóstico precoce ao paciente com câncer que ainda não tem metástase, e de uma forma menos invasiva, utilizando a genética para o diagnóstico. Isso tem sido cada vez mais explorado no que chamamos de medicina personalizada”, justifica.

Carvalho também acredita que a tecnologia poderá ser ampliada para o enfrentamento de outras doenças. “É um tema que merece ser ampliado e que, além de testar outros tipos de cancro, poderia analisar doenças inflamatórias e imunológicas, pois o paciente não chega ao médico com suspeita de câncer. Geralmente, ele apresenta alguma enfermidade que pode estar relacionada ao tumor”, explica.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Ciência cria pomada antibiótica que impede surgimento de superbactérias

O uso exagerado de antibióticos gerou um dos maiores problemas da área médica: a resistência das bactérias a esse tipo de medicamento. Para impedir que a situação piore, cientistas buscam novas alternativas de combate a esses micro-organismos. Nesse sentido, pesquisadores da Holanda manipularam um peptídeo de origem humana que, ao ser usado em forma de pomada, conseguiu replicar o efeito dos antibióticos em ratos e amostras de pele humana. Os achados foram apresentados na última edição da revista americana Science Translational Medicine.

“Com o crescente número de cepas resistentes aos antibióticos, é crucial desenvolver novas terapias antimicrobianas”, ressalta ao Correio Anna de Breij, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade Médica de Leiden. A cientista explica que, para desenvolver um medicamento semelhante aos antibióticos, foram escolhidos os peptídeos antimicrobianos devido à eficácia dessas moléculas no combate a bactérias em pesquisas anteriores. “Elas têm potencial para matar uma ampla gama de bactérias, incluindo espécies que já são resistentes aos antibióticos”, frisa.

Breij e sua equipe, que contaram com a ajuda de pesquisadores da Universidade de Amsterdã, escolheram um dos peptídeos mais promissores, o LL-37. “É um antimicrobiano humano que desempenha papel fundamental na resposta imune contra bactérias. Com base nesse peptídeo natural, nós sintetizamos variantes”, explica a autora. A manipulação resultou em um conjunto de peptídeos — entre eles o SAAP-148, que se mostrou altamente eficiente no combate a micro-organismos em amostras sanguíneas. 

O peptídeo liga-se à membrana da bactéria, a enfraquecendo, o que facilita a morte do micro-organismo.  “O SAAP-148 mostrou-se ativo contra as comunidades bacterianas, que nós chamamos de biofilmes. Elas vivem juntas e, por isso, são mais difíceis de serem erradicadas com antibióticos convencionais. Também (funcionou) no combate a células persistentes, que são as mais tolerantes aos antibióticos e responsáveis por muitas infecções recorrentes”, ressalta Breij.

Em uma última etapa, os pesquisadores incorporaram o peptídeo em uma espécie de gel, o que permitiu a aplicação tópica — diretamente na pele —, e o testaram em ratos e amostras de pele humana contaminados. A abordagem, além de segura e eficaz, eliminou as bactérias. “Neste ano, planejamos testar o peptídeo em um ensaio clínico (com humanos) para aplicação tópica. Além disso, obtivemos uma concessão para desenvolver formulações inteligentes (nanoformulações) para o SAAP-148, o que, espero, nos permitirá desenvolver alternativas para outras aplicações, que não sejam tópicas”, adianta a autora.

Mais estudos

Segundo Alexandre Cunha, membro do Comitê de infecções em UTI da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a eficiência no combate a biofilmes é um ponto a ser destacado na pesquisa. “Os biofilmes são grupos de bactérias que ficam grudados, acumulados, e são frequentes em aparelhos médicos, como o cateter. Também estão muito presentes em ossos, por isso são numerosos os casos de infecções em pessoas que usam próteses ortopédicas, por exemplo”, diz.

Apesar das vantagens descritas, Cunha acredita que muito trabalho é necessário para que um novo medicamento possa surgir com base no estudo holandês. “A parte ruim é que esse ainda é um estudo inicial, que precisa de muito tempo para ser desenvolvido. Pode demorar cerca de oito anos para que ele chegue ao mercado, em um cenário animador, seriam cerca de cinco anos”, acredita.

Quanto à vantagem de não beneficiar o surgimento de superbactérias, Cunha também é cauteloso. “Pesquisas que exploram outra linha de combate, como essa que aborda o uso de peptídeos, podem não resultar em uma solução na primeira tentativa, mas essas investigações têm potencial para abrir um novo caminho, com outras fontes de pesquisa, com moléculas semelhantes que podem gerar novos medicamentos”, justifica.

Segundo os autores, o peptídeo SAAP-148 não induz a resistência a bactérias provavelmente devido ao seu mecanismo de ação inespecífico (sem alvo) e à rapidez de ação. “Em contraste, os antibióticos, que muitas vezes têm alvos específicos e agem bem mais devagar, causam a resistência. Se pudermos usar peptídeos antimicrobianos, como SAAP-148, isoladamente ou em combinação com antibióticos, para tratar infecções, é possível reduzir a chance de indução de resistência”, ressalta Breij.

Para o médico brasileiro, soluções nesse sentido são urgentes e bem-vindas. “A resistência a bactérias é um problema extremamente grave. Há anos não temos uma classe nova de remédios. As novidades que surgem, a cada dois anos basicamente, são apenas variações de fórmulas que conhecemos há 10, 15 anos. Caso novidades não surjam,  vamos voltar a viver na época ‘pré-analítico’, quando as pessoas morriam por infecção”, ressalta Cunha.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Clínico Geral: quando procurar?


Estudos do Ministério da Saúde comprovam o que, de fato, todos nós já sabemos: o homem brasileiro vai menos ao médico por livre e espontânea vontade, e só busca o atendimento médico quando alguma enfermidade já está instalada em seu organismo, o que não é nada bom.

A saúde deve ser priorizada por qualquer indivíduo que busque longevidade e qualidade de vida, e as idas periódicas ao médico, além da realização de exames diversos elevam a prevenção de doenças e garantem a boa saúde.

Mas, primeiramente, em qual médico ir?

De acordo com o Dr. Eun Chul Park, médico assistente do Hospital Samel, “tudo depende da história de cada paciente”, porém, o primeiro passo é realizar uma avaliação médica com um clínico geral.
“O clínico geral tem uma ampla visão do organismo humano e deve estar preparado para proceder aos diversos diagnósticos”, afirma o Dr. Park. É ele quem deve identificar os problemas de saúde que possam existir no organismo do paciente, além de solicitar exames e encaminhá-lo para especialistas.  

Avaliação laboratorial

Os exames laboratoriais são essenciais para encontrar sinais de anemia, diabetes, gordura no organismo, problemas cardíacos, problemas urinários, verminoses, entre outros, e devem ser realizados anualmente, para manutenção da boa saúde.

Avaliação urológica

“A avaliação urológica, que englobam a dosagem de PSA (antígeno prostático específico, na sigla em inglês) e o exame de toque retal, se for indicado, são de extrema importância para prevenir o câncer de próstata, além de mostrar alterações na função erétil e possíveis causas de infertilidade.

Quais doenças podem ser tratadas pelo clínico geral?

O Dr. Eun Chul Park informa que o clínico geral está apto a tratar diversas doenças, e só precisa encaminhar seu paciente quando houve necessidade de um especialista, isso quer dizer, quando o problema é muito específico. 


Sendo assim, uma consulta com o clínico geral também abrange avaliação pré-operatória para cirurgias diversas; avaliação para atividade física e orientação de exercícios físicos; obesidade leve a moderada; hipertensão arterial e diabetes; investigação e tratamento de doenças cardiológicas leves; infecções intestinais e urinárias, entre outras.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

HIV e AIDS: transmissão, sintomas e tratamento

Dezembro Vermelho: Mês de Prevenção da AIDS

A AIDS - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é uma doença considerada um dos maiores problemas da atualidade por conta do seu caráter pandêmico e sua gravidade, tendo seu ápice nos anos 80, onde o diagnóstico positivo era quase uma sentença de morte.

A infecção se dá através do vírus HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana, que pode levar à AIDS. Oposto de outros vírus, o organismo humano não consegue se livrar do HIV, o que significa que uma vez contaminado, o indivíduo viverá com o vírus em seu organismo para sempre. Porém, as pessoas que vivem com HIV ou com AIDS podem usufruir de todos os seus direitos, incluindo educação, emprego, acesso à saúde gratuitamente e direitos sexuais e reprodutivos.

Como o vírus age no organismo humano?

De acordo o médico infectologista do Hospital Samel, Dr. Noaldo Lucena, o vírus HIV age no organismo atacando as células do sistema imunológico, destruindo os glóbulos brancos, chamados linfócitos T CD4+. A ausência desses linfócitos reduz a capacidade do organismo de se defender de doenças oportunistas, causadas por micro-organismos que não são capazes de desencadear danos nos indivíduos com sistema imune normal.

Transmissão 

A transmissão do HIV se dá por meio da troca de fluidos corporais, como o sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno e não ocorre através de interações comuns do dia a dia, como abraço, beijo, compartilhamento de utensílios e alimentos. “É muito importante sabermos disso para conscientização da população para que consigamos acabar com estigmas associados aos portadores do vírus HIV e com a discriminação”, ressalta o infectologista do Hospital Samel.

Assim se pega HIV/AIDS: Sexo vaginal, oral e anal sem camisinha; uso de seringa por mais de uma semana; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto e amamentação; instrumentos perfuro cortantes não esterilizados. 

Assim não se pega HIV/AIDS: Sexo vaginal, oral e anal com camisinha; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão e abraço; compartilhamento de sabonete, toalha e lençóis; compartilhamento de talheres, pratos e copos; assento de ônibus; piscina; banheiro; doação de sangue.

Como identificar?

Estudos confirmam que após o contágio pelo vírus HIV, os sintomas da AIDS podem demorar até 10 anos para se manifestar no organismo, por isso, a pessoa pode ter o vírus, mas, não a AIDS ainda em seu corpo. 

Os principais sintomas observáveis são parecidos com os de uma gripe comum, como mal-estar e febre. Devido a isso, grande parte dos casos passa despercebido. 

Fase sintomática inicial da AIDS: candidíase oral, sensação constante de cansaço, aparecimento de gânglios nas axilas, virilhas e pescoço, diarreia, febre, fraqueza orgânica, transpirações noturnas e perda de peso superior a 10%.

Infecção aguda da AIDS: sintomas de infecção viral como febre, afecções dos gânglios linfáticos, faringite, dores musculares e nas articulações; ínguas e manchas na pele que desaparecem após alguns dias; feridas na área da boca, esôfago e órgãos genitais; falta de apetite; estado de prostração; dores de cabeça; sensibilidade à luz; perda de peso; náuseas e vômitos.

Diagnóstico

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. “No Brasil, temos os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) ”, informa o Dr. Noaldo.

Tratamento

A infeção pelo HIV ainda não tem cura, porém, pode ser tratada, o que evita que a pessoa chegue ao estágio mais avançado da presença do vírus no organismo, chamado de fato AIDS.

Os portadores do HIV dispõem de tratamento oferecido gratuitamente pelo Governo, onde o paciente terá acesso ao tratamento antirretroviral, cujos medicamentos possibilitam maior qualidade de vida, agindo na redução da carga viral e a reconstituição do sistema imunológico.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Novo exame de imagem pode prever o risco de AVC

De acordo com cientistas britânicos, um novo tipo de ressonância magnética pode ser uma técnica menos invasiva de medir o colesterol das artérias carótidas

Um novo tipo de exame de imagem pode prever o risco de acidente vascular cerebral, de acordo com um recente estudo publicado no periódicos científicos JACC: Cardiovascular Imaging e no PLOS ONE.

A técnica, desenvolvida por cientistas da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, consiste em uma ressonância magnética capaz de rastrear as carótidas, artérias que ligam ambos os lados do pescoço ao cérebro, em busca de possíveis placas de colesterol, que podem causar o acidente vascular cerebral (AVC), medindo-as e avaliando os riscos dessas dimensões.

Menores riscos

Estima-se que, ao longo da vida, uma em cada seis pessoas sofrerá um AVC, que é a principal causa de incapacidade no mundo. Anualmente, são registradas 6,5 milhões de mortes devido ao problema. Só no Brasil, em 2015, foram cerca de 100.000 óbitos.

Aproximadamente 85% dos casos de AVC são do tipo isquêmico, ou seja, causados pela obstrução de um vaso sanguíneo que fornece sangue ao cérebro, bloqueando a passagem de oxigênio para as células nervosas (também chamadas de neurônios). Já os outros 15% são referentes à forma hemorrágica, quando um aneurisma (vaso enfraquecido) rompe e sangra no cérebro.

Para os pesquisadores, a nova técnica pode ajudar a reduzir os casos de AVC isquêmico e antecipar o tratamento. “”Ser capaz de quantificar o colesterol nas placas carotídeas é uma perspectiva realmente animadora, pois essa nova técnica poderia ajudar os médicos a identificar pacientes em risco e tomar decisões mais informadas sobre seus tratamentos.”, disse Luca Biasiolli, um dos autores do estudo, ao jornal on-line britânico The Guardian

O exame

Em um primeiro teste, a equipe de pesquisa utilizou o método para medir a quantidade de colesterol nas artérias de 26 pacientes que estavam à espera de cirurgia. Depois de as placas terem sido removidas, os pesquisadores analisaram o conteúdo delas e realmente coincidia com o indicado pelo exame anterior. Em um segundo teste, eles confirmaram os resultados em mais 50 pessoas.

No entanto, mais pesquisas são necessárias para colocá-la em prática. “Essa pesquisa abre a possibilidade para que no futuro possamos identificar mais precisamente pessoas com placas que possam se romper e causar o derrame”, disse Nilesh Samani, diretor da Fundação Britânica do Coração, que ajudou a financiar o estudo. “Os pacientes podem ser tratados antes do acidente – com cirurgia removendo a placa, por exemplo – enquanto outros, com antecedência, podem até ser poupados da cirurgia.”

Velocidade no atendimento

A velocidade no atendimento de uma pessoa com AVC é determinante para evitar sequelas graves como dificuldades de movimentação, linguagem, visuais, de memória e até mesmo comportamentais. Em casos de AVC isquêmico, por exemplo, a artéria obstruída impede a passagem de sangue e oxigênio para aquela área do cérebro. isso faz com que a cada minuto não tratado, o paciente perca, aproximadamente, 1,9 milhões de neurônios na região afetada.

Além disso, o trombolítico alteplase (rt-PA), medicamento injetável que age deixando o sangue mais fino, a fim de dissolver o trombo e desobstruir a artéria, só pode ser administrado até 4h30 após o início dos sintomas. Após esse período, é necessário um procedimento mais complicado, chamado trombectomia, que consiste na remoção do trombo da artéria, e demanda a existência de um neurorradio intervencionista.

Para que a intervenção seja rápida, é fundamental reconhecer os sintomas do problema que, geralmente, surgem subitamente. Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do rápido atendimento ao paciente que está sofrendo um AVC, a Rede Brasil AVC, ONG criada com o objetivo de melhorar a assistência global ao paciente com AVC em todo o país, e a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, com o apoio da Boehringer Ingelheim, lançaram a campanha “A Vida Conta – Cada minuto faz diferença”, focada em vídeos com informações impactantes sobre a doença.

Alguns dos temas abordados são a identificação dos sintomas mais comuns como dormência ou fraqueza na face, braço ou perna – especialmente em um lado do corpo -, confusão, dificuldade para falar ou compreender a fala, dificuldade para enxergar, tontura (sensação giratória) associada com dificuldade para andar, perda de equilíbrio ou coordenação. Também pode haver dor de cabeça súbita, intensa e sem causa conhecida – mais comum em AVC hemorrágico.

Outro ponto importante é a redução dos fatores de risco. Alguns, como hereditariedade, idade e sexo não podem ser modificados, mas fatores associados ao estilo de vida, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, arritmias cardíacas, tabagismo, obesidade, sedentarismo e estresse são preveníveis.

Fonte: Veja.com

terça-feira, 13 de junho de 2017

Sucos e refrigerantes são os maiores promotores da chamada erosão dentária, cada vez mais comum. Mas, uma série de outros fatores também ameaça à saúde bucal

Apesar das taxas de cárie no Brasil terem caído aproximadamente 13% ao longo da última década, a ascensão de outra condição, a erosão dentária, tem tirado o sorriso dos especialistas. Caracterizada pelo ataque de substâncias ácidas ao esmalte, essa doença pode desgastar os dentes e desequilibrar a mastigação se não for tratada de maneira adequada.

O que está por trás dessa baita encrenca? 

No topo da lista, o consumo de refrigerantes. Estima-se que o brasileiro consome 70 litros de bebidas gaseificadas por ano. Os sucos de limão, laranja, morango e abacaxi também representam perigo nesse sentido, assim como isotônicos e energéticos. Conheça outros fatores de risco e descubra o que fazer para evitar seus efeitos nocivos:

Doenças de base: No refluxo gastroesofágico e na bulimia, os substratos estomacais que fazem a digestão viajam até a boca e atacam os dentes.

Remédios: Xaropes infantis, ácido acetilsalicílico, determinados antibióticos líquidos e vitamina C efervescente entram nessa relação.

Drogas ilícitas: Sujeitos viciados em cocaína geralmente friccionam o pó na gengiva e nos dentes. Há suspeitas de que o ecstasy também afete a região.

Natação: Atletas precisam se proteger se ficam muito tempo treinando em piscinas tratadas com cloro. Elas têm o pH bem baixo.

Poluição: Já existem estudos indicando que morar em áreas com a atmosfera cheia de sujeira aumenta o risco de o problema dar as caras.

Como evitar a erosão dentária

  • Não escove os dentes logo após comer ou beber algo ácido. Espere uns 30 minutos. Só não se esqueça da higiene bucal depois desse intervalo.
  • Em vez da escovação imediata, realize bochechos com água. Isso reequilibra o pH e eleva a secreção de saliva, que tem ação protetora.
  • Fique o menor tempo possível com a bebida nadando na boca. Oriente as crianças a não brincar com o refrigerante ou o suco no meio dos dentes.
  • Mascar um chiclete sem açúcar faz as glândulas salivares trabalharem com mais rapidez para neutralizar os ácidos.
  • Vai tomar uma laranjada? Que tal compor o lanche com queijos ou castanhas? Alimentos com pH básico anulam o atentado ao esmalte.
  • Aposte no gelo: além de tornar o líquido menos ácido, a temperatura baixa desacelera um pouco processos químicos, como é o caso da erosão.
  • Invista nos canudinhos. O tubo de plástico entrega o conteúdo do copo direto para a garganta, sem que ele trave contato com a dentição.

Fonte: Exame.com

terça-feira, 30 de maio de 2017

Estatina reduz risco de infarto, derrame e insuficiência cardíaca

Um novo estudo acaba de comprovar mais um benefício das estatinas para a saúde cardíaca. Além de ter o colesterol controlado, pessoas que tomam estatinas têm menor probabilidade de terem o músculo do coração espesso, condição conhecida como hipertrofia ventricular esquerda, que aumenta o risco de infarto, insuficiência cardíaca e derrame no futuro.

Menor volume e espessura

No estudo, apresentado durante o EuroCMR 2017, conferência sobre exames de imagem cardíaca realizada em Praga, na República Tcheca, pesquisadores da Universidade de Londres analisaram, por meio de exames de ressonância magnética, o coração de 4.622 pessoas na Inglaterra, das quais 17% tomavam estatinas. Os resultados mostraram que, em comparação com quem não fazia tratamento com o medicamento, aqueles que faziam tinham câmaras ventriculares esquerdas com uma porcentagem de massa muscular 2,4% menor. Seu volume de massa ventricular esquerda e direita também eram menores.

Mas, na prática, o que isso significa? De acordo com Nay Aung, autor do estudo, essas características correspondem a uma redução no risco de desfechos adversos associados a um coração grande e espesso, como infarto, insuficiência cardíaca e derrame, em pacientes que, teoricamente já estavam em risco mais alto de desenvolver problemas cardíacos, em comparação com aquelas que não usam o medicamento.

Os resultados foram confirmados mesmo após os cientistas contabilizaram outros fatores que podem afetar o coração, como etnia, gênero, idade e índice de massa corporal (IMC).

Possível explicação

Segundo informações do jornal britânico The Guardian, outros benefícios já comprovados das estatinas incluem melhoria da função dos vasos sanguíneos, redução da inflamação e estabilização dos depósitos de gordura nas paredes das artérias.

Embora o estudo atual não tenha analisado o porquê desse efeito benéfico das estatinas na estrutura e função cardíaca, pesquisas anteriores já haviam mostrado que o medicamento reduz o stress oxidativo e a produção de fatores de crescimento, químicos naturais que estimulam o crescimento celular. Essas características podem ter influência em seu efeito sobre a estrutura cardíaca. As estatinas também ajudam a dilatar as veias sanguíneas, levando a uma melhora no fluxo e redução do stress do coração.

Medicina personalizada

Apesar dos resultados, Aung ressaltou que isso não significa que todas as pessoas acima dos 40 anos devem tomar estatinas.”As recomendações sobre quem deve ou não tomar estatinas são claras. Há um debate sobre se deveríamos reduzir o ‘corte’ e, o que nós descobrimos é que para pacienteis que já estão tomando o medicamento, existem efeitos benéficos que vão além da redução do colesterol, e isso é bom. Mas, em vez de liberar a prescrição, precisamos identificar as pessoas que mais se beneficiaram desse tratamento, algo conhecido como medicina personalizada“, finalizou.

Fonte: Veja.com